A Lemon decidiu encerrar suas operações no Brasil e terminar cerca de 15.000 contas locais depois de considerar os novos requisitos de capital para licenciamento de criptomoedas do país caros demais para seu negócio.
Resumo
- A Lemon fechará as contas brasileiras em 16 de outubro e ajudará os usuários com saques.
- Os depósitos em BRL foram interrompidos, enquanto os pagamentos com o Lemon Card terminarão em 30 de setembro.
- O primeiro prazo de licenciamento de ativos virtuais do Brasil é 30 de outubro.
- A Lemon redirecionará recursos para Argentina, Peru e Colômbia.
A Lemon disse que os novos requisitos de capital do Brasil eram "desproporcionais" ao tamanho de seu negócio local, levando o aplicativo de criptomoedas argentino a se retirar em vez de financiar uma licença sob as novas regras de ativos virtuais do país.
Novos depósitos em reais brasileiros já foram suspensos. O Lemon Card, um cartão de pagamento Visa introduzido com o provedor de infraestrutura de pagamentos Pomelo apenas semanas antes da decisão de fechamento, deixará de processar transações em 30 de setembro.
Lemon sai do Brasil antes do prazo de licenciamento
O arcabouço brasileiro para prestadores de serviços de ativos virtuais, conhecidos localmente como PSAVs, entrou em vigor em 2 de fevereiro. As empresas abrangidas pelas regras enfrentam um prazo de 30 de outubro para a primeira etapa do processo de licenciamento.
Sob o arcabouço descrito pela Lemon, os provedores que continuarem operando sem aprovação regulatória após o prazo enfrentam restrições para atender o mercado brasileiro. A conformidade exigiria que a empresa comprometesse mais capital com sua entidade local.
A Lemon optou por redirecionar esse dinheiro para suas operações em outras partes da América Latina. A empresa atribuiu a decisão ao custo de atender aos padrões de licenciamento do Brasil em comparação com o tamanho de sua base de clientes e receita no país.
"Os requisitos do Brasil acabaram expulsando players que queriam investir, inovar e ampliar a oferta de serviços", disse a Lemon.
A declaração da empresa enquadra o fechamento como uma decisão regulatória e financeira, e não como uma resposta à queda na demanda por serviços de criptomoedas. Nenhum número foi fornecido para o valor dos ativos de clientes mantidos nas contas brasileiras ou o capital que a Lemon teria precisado para garantir uma licença.
Os saques dos clientes agora são a prioridade imediata. Os usuários que deixarem saldos na plataforma enfrentam o prazo de conta de 16 de outubro, duas semanas antes da data de protocolo da primeira etapa para provedores de criptomoedas que buscam permanecer no mercado.
As regras de capital do Brasil dividem os provedores de criptomoedas locais
A Lemon não é a única empresa de criptomoedas mudando seus negócios brasileiros sob o regime de licenciamento. A Coinext encerrou suas atividades após não atingir o limite mínimo de capital, enquanto a Digitra encerrou seu serviço de negociação de varejo.
A Crypto.com adotou uma abordagem mais restrita. A exchange está mantendo sua entidade brasileira, mas planeja fechar contas denominadas em reais em 25 de outubro.
Empresas com mais capital ou operações locais mais profundas estão prosseguindo com seus planos de expansão no Brasil. A Binance obteve aprovação regulatória no país, enquanto a Ripple está buscando uma licença de prestador de serviços de ativos virtuais brasileira à medida que expande o uso de sua stablecoin RLUSD pela América Latina.
A Coinbase também expandiu o acesso a produtos de empréstimo em USDC no Brasil por meio da Morpho. O serviço dá aos usuários elegíveis exposição a empréstimos onchain, colocando a exchange americana entre as empresas internacionais que continuam a investir no Brasil, apesar dos custos regulatórios mais altos.
Os produtos de cartão mostram a mesma divisão. A Lemon está retirando seu cartão Visa pouco depois do lançamento, enquanto a Binance relançou seu cartão de criptomoedas brasileiro através da Mastercard após uma ausência de dois anos.
As decisões contrastantes deixam as empresas ponderando a receita disponível dos usuários brasileiros em relação ao capital, conformidade e custos operacionais ligados ao novo sistema. As 15.000 contas da Lemon não foram suficientes para justificar esse investimento, de acordo com a explicação da empresa.
Para as empresas de criptomoedas dos EUA, a abordagem do Brasil apresenta um custo de entrada separado, em vez de uma mudança direta em suas obrigações domésticas. As exchanges americanas que entram no país devem atender às condições de licenciamento brasileiras por meio de suas operações locais, enquanto continuam a seguir os requisitos federais e estaduais aplicáveis dos EUA em casa.
Lemon redireciona capital pela América Latina
A Argentina receberá parte do capital liberado pelo fechamento da operação brasileira. A Lemon descreveu o sistema regulatório do país como aquele que oferece “regras claras e um ambiente de segurança”, contrastando-o com a economia de operar sob o arcabouço do Brasil.
As compras de Bitcoin por meio da Lemon na Argentina recentemente atingiram uma máxima de 20 meses, segundo a empresa. A Lemon citou o aumento como evidência de um crescimento mais forte em seu mercado de origem, embora não tenha divulgado o volume ou o valor das compras.
O Peru é outra prioridade. A Lemon relata mais de 1 milhão de usuários lá e opera com uma licença do supervisor de bancos e seguros do país, a SBS.
Na Colômbia, onde a Lemon afirma ter mais de 150.000 usuários, a empresa planeja dedicar recursos adicionais à sua operação existente. A redistribuição abrange três mercados onde a Lemon acredita que suas licenças atuais, números de clientes e custos operacionais proporcionam uma base mais forte para expansão.
Outras exchanges internacionais também continuaram a buscar mercados latino-americanos fora do Brasil. A Bitget obteve registro PSAV na Argentina, dando à exchange uma rota regulamentada para atender clientes no maior mercado da Lemon.
A Lemon descreveu seu plano regional como uma realocação, e não um recuo geral da América Latina. A empresa fechará uma operação nacional enquanto mantém negócios na Argentina, no Peru e na Colômbia.
O Brasil continua atraindo empresas de criptomoedas maiores
O Brasil continua sendo um dos mercados de criptomoedas mais ativos da América Latina, apesar da saída de provedores menores. Legisladores locais estão considerando uma proposta para uma reserva nacional de Bitcoin que poderia eventualmente deter até 1 milhão de BTC.
A proposta permanece separada do sistema de licenciamento do banco central e não criou um compromisso de compra. Seu avanço pelo Congresso, no entanto, mostra que os formuladores de políticas brasileiros estão considerando exposição estatal ao Bitcoin, enquanto os reguladores financeiros impõem requisitos mais elevados às empresas que atendem clientes de varejo.
O modelo do Brasil também difere da Reserva Estratégica de Bitcoin dos EUA estabelecida em março de 2025. O arcabouço da Casa Branca capitalizou a reserva dos EUA com Bitcoin perdido por meio de processos criminais ou civis e permitiu que autoridades examinassem métodos de aquisição neutros em termos orçamentários.
Enquanto isso, os clientes brasileiros restantes da Lemon têm até 16 de outubro para remover fundos da plataforma, enquanto os portadores de cartão perderão o acesso aos pagamentos do Lemon Card após 30 de setembro.






